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Antonio Huggler

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Defino meu produto como um bom conjunto. Procurei desenvolver uma viola confortável de segurar, boa de tocar com boa sonoridade e estética agradável. É uma viola muito equilibrada.

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Meu nome é Antonio de Oliveira Huggler, tenho 22 anos e moro em Tatuí, interior do estado de São Paulo. Sou luthier desde os treze anos.

Comecei tocando viola num violão bem velho que eu tinha, cheio de adesivos. Aos poucos fui pegando gosto até que ganhei minha primeira viola. Com isso acabei deixando aquele velho violão de lado. Nessa época eu já gostava muito de mexer com ferramentas, estava sempre inventando alguma coisa com elas, então resolvi pegar o violão que tinha ficado ali abandonado e tentei transformá-lo em uma viola. Não deu certo! Virou um monte de lixo.

A partir dessa minha primeira tentativa com o violão eu decidi fazer uma viola usando uma cabaça que eu tinha ganho de um amigo. Na época as violas de cabaça estavam no auge por conta de alguns luthiers como o Levi Ramiro de Campinas. A primeira viola que fiz de cabaça quebrou no meio e a segunda ficou apenas de enfeite. Mas essas minhas primeiras tentativas já começaram a surtir efeitos, pois foi através de uma foto de uma delas que consegui meu primeiro emprego, numa fábrica de jóias. Não havia nenhuma relação com a luthieria, mas o pessoal da fábrica viu um potencial em mim e me contrataram. Trabalhei por um ano e meio como modelista de jóias.

Comecei a fazer aulas de viola com o violeiro Ricardo Anastácio e nas aulas eu comecei a ter contato com suas violas que eram feitas por luthiers da região. Eu via aquelas violas e ficava impressionado, queria entender como eram feitas. O Ricardo Anastácio foi um de meus maiores incentivadores. Foi ele quem me levou para conhecer o luthier André Muraro que me passou os primeiros conceitos sobre a produção de instrumentos. A partir disso meu gosto pela luthieria só foi aumentando, não parei mais de pesquisar e aprender sobre o assunto.

Desde então venho me dedicando à produção de violas e em nove anos fui aprendendo com os erros, sempre me aprimorando, vendo o que dava certo e o que dava errado e evoluindo minha capacidade e a qualidade dos meus instrumentos. É um processo de aprendizado que nunca terminou e nunca vai terminar. Diferente de alguns luthiers, eu tenho um único modelo de instrumento que venho aprimorando a cada nova viola que faço. E hoje eu defino meu produto como um bom conjunto. Procurei desenvolver uma viola confortável de segurar, boa de tocar com boa sonoridade e estética agradável. É uma viola muito equilibrada.

Estou em minha terceira oficina. A primeira era num espaço minúsculo numa casa em Cesário Lange quando eu e minha família ainda morávamos lá, a segunda já em Tatuí num espaço maior mas onde chovia muito dentro da oficina o que me atrapalhou muito e hoje estou num espaço ótimo onde tenho total controle do processo de produção e armezenamento de material.

A maior dificuldade pra mim sempre foi a pouca idade. Pra muitas pessoas um luthier adolescente é algo que não condiz. Muitos acabam desvalorizando o trabalho por julgar impossível um rapaz com pouca idade fazer um trabalho tão bom quanto o de alguém mais velho. Tive que me superar muito pra provar meu valor e tornar meu produto competitivo. Esse preconceito com a pouca idade eu sofri tanto dos clientes quanto dos fornecedores que não me davam a devida atenção quando eu ia comprar material.

A forma como os fornecedores e clientes enxergavam meu trabalho começou a mudar quando ganhei um concurso de luthieria no Conservatório de Tatuí. Esse concurso acontece com frequência e eles sempre selecionam um instrumento para ser feito e num determinado ano esse instrumento foi a viola. E tinha entre 15 e 16 anos na época e não tinha dinheiro pra comprar o material pra produzir uma boa viola. Foi aí que um amigo, Jaime Pinheiro, me chamou e disse: “Eu te dou a grana pra comprar o material. Se ganhar você, me paga. Se não ganhar… paciência.” Ganhei o primeiro lugar no concurso, paguei o investimento que o Jaime havia feito e consegui mudar a forma como muitos viam meu trabalho e com isso ganhar espaço no mercado. Inclusive, foi após esse prêmio que fui procurado pela Prefeitura de Bofete para produzir 28 violas para uma orquestra da cidade.

No meu trabalho a ferramenta faz muita diferença. E pra mim o principal é o referencial, é ter a garantia de que ela está certa. A ferramenta de precisão é uma referência, é como uma boa fonte: se ela é confiável você fica tranquilo pois sabe que ela está certa.

Facebook: fb.com/antoniohugglerluthieria



Fotos: Chores Rodriguez