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Dimas Pires

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"Do lixo ao luxo: Tudo pode ser transformado em algo belo e com grande valor. Basta enxergar com outros olhos."

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Me chamo Dimas Pires Sobrinho, tenho 40 anos, sou artesão e carpinteiro. Trabalho com material reciclável, descartes de construção civil e resíduos florestais. Na verdade me considero mais um carpinteiro. Gosto muito disso por ser uma profissão muito antiga, que vem de lá de trás e por ter sido uma profissão que Cristo carregou. As pessoas me chamam de artesão e acredito que meu trabalho possui sim uma ligação com a arte mas não tenho nenhuma formação, não fiz nenhuma faculdade ou algo parecido. Tudo o que aprendi foi por conta própria, sempre observando tudo e buscando aperfeiçoar meu trabalho.

Minha história como carpinteiro começou há 16 anos atrás, quando vi na tv durante um reality, uma rede feita de bambu. A partir daquele dia, decidi deixar meu emprego atual numa indústria e começar a produzir redes como aquela. Com o dinheiro que recebi da empresa onde trabalhava, comprei ferramentas e o material necessário e fiz uma série de redes.

Foi aí que aconteceu um fato marcante pra mim. Em frente a minha casa existe um Ipê grande e bonito e quando ele estava bem florido um jornal local pediu para tirar uma foto pra uma matéria. Aproveitei e pendurei todas as minhas redes ao lado do Ipê. Foi com essa matéria que consegui vender todas as redes que havia feito e aí não parei mais. Aos poucos passei a trabalhar com outros tipos de materiais até chegar nos resíduos sólidos.

O carro chefe do meu trabalho está hoje nos objetos e mobiliários que faço a partir dos resíduos florestais: árvores condenadas ou que foram derrubadas por desastres naturais. Geralmente essas árvores acabam sendo um estorvo pra sociedade pois não tem um destino certo. Por isso costumo dizer que meu trabalho é DO LIXO AO LUXO!

Normalmente, quando vejo uma raíz de uma árvore morta já imagino logo de cara o que ela irá se tornar: um banco, uma mesa, uma cadeira… E penso nisso como um dom que Deus me deu e por ser um dom procuro sempre que posso passar esse conhecimento para outras pessoas.

Foi pensando nisso tudo que surgiu o nome SOBREVIDA, que se tornou minha marca. Sobrevida é isso: dar vida nova àquilo que todos consideravam perdido, sem serventia, morto. E esse pensamento eu levo não só para os resíduos que encontro por aí mas também para as pessoas que Deus coloca em meu caminho. Pessoas com criatividade e que por alguma razão se perderam ou que foram descartadas pela sociedade. Passando os conhecimentos que adquiri da carpintaria, acredito que estou dando a elas uma oportinidade de retomar a vida aprendendo uma nova profissão. Pra elas também há sempre uma sobrevida. Basta fazer como faço com os descartes: um olhar diferente e pensando que é possível transformar o que ninguém dá valor em algo muito valioso.


Site: www.sobrevida.art.br

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