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Santiago Ribeiro

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Como autodidata não é piegas e nem um exacerbado ufanismo afirmar que o que eu faço é por amor incondicional à arte.

Meu nome é Santiago Ribeiro, tenho 37 anos e sou artista plástico e cenógrafo. Minha paixão pela arte se iniciou ainda aos cinco anos de idade vendo desfiles de carnaval na avenida. Não sei ao certo o que me levou a ter quase que imediatamente o despertar em recriar em meus brinquedos a arte de reproduzir as primeiras maquetes, baseado nos desfiles das escolas de Samba. Mas o fato é que, talvez pela aguçada sensibilidade do olhar e pela exímia criatividade, me levou a imaginar que caixas de sapatos embrulhadas com papel laminado de cozinha imitariam os carros alegóricos dos eventos carnavalescos. E a exemplo de outros artistas, eu também não sou formado na área. Como autodidata não é piegas e nem um exacerbado ufanismo afirmar que o que eu faço é por amor incondicional à arte.

Foi a amor à primeira vista. O primeiro contato com a arte foi interessante Muito curioso, eu pegava as caixas de sapato da minha mãe, cobria-os com papel laminado e colocava meus brinquedos em cima, criando alegorias para simular um desfile de Escola de Samba. Comecei então a entender o que era o Carnaval e então passei a esperar ansiosamente pela chegada daquela festa para que assim, como de fato funciona os enredos, eu pudesse inventar coisas novas e criativas. Tudo era feito de forma extremamente artesanal e intuitiva (assim até hoje em muitos aspectos) e usava o material que eu tinha em casa. A inspiração para os carros alegóricos, e isso a cada ano se renovava, vinha do que eu lia ou assistia na televisão, como a cultura popular, as festas típicas regionais e até mesmo as dimensões do Espaço Sideral. E foi partindo das alegorias que enxerguei que havia muito mais a ser inventando e as opções para as maquetes eram muito diversificadas e encantadores. Na época falavam que eu brincava de casinha, por que desde que construí minha primeira casa em maquete, nunca mais abri mão. Comecei criando os mais variados estilos de habitações e ambientes, como sobrados, quartos, salas e casas completas, buscando referências no que eu via pelas ruas. Não me ofendia pelo que diziam. Pelo contrário, os escárnios me servem até hoje de impulso para continuar.

Foi no ginásio, nas aulas de educação artística, que comecei a aprimorar minhas técnicas recebendo o incentivo dos meus professores que percebiam a minha vocação. Conheci a teoria das cores, das regras da geometria plana e volumetrias das formas. Passei a incorporar estes estudos e aplicar em meus trabalhos. Era a primeira vez que minhas maquetes começavam a ganhar perfis mais técnicos. Era a primeira vez que meus trabalhos deixavam de ter uma linguagem infantil para ir, pouco a pouco, espelhando um estilo mais profissional. Nunca deixei, como qualquer autodidata curioso, em me atualizar. Cursos e oficinas específicos na área foram muito poucos. Aliás, estes cursos não tinham nenhuma ligação direta com maquetes. Eram oficinas esporádicas de pintura e história da arte. Nunca fiz curso de maquetaria. Porém sempre as teorias me serviram para praticar o exercício de procurar novas técnicas e materiais para o meu trabalho. Ora, a principio, por exemplo, utilizava faca de cozinha para cortar o isopor e a mesma técnica rudimentar era aplicada nos recortes de portas e janelas. Mas foi num workshop sobre arte moderna que conheci o salvador estilete e também foi amor à primeira vista...!

O isopor foi por muitos anos, minha principal matéria-prima. Ora pela facilidade no corte. Ora pela leveza e praticidade. Com o passar dos tempos descobri que o papelão, até então a matéria que eu via com certo preconceito, passou a favorecer minhas obras, além de ser ecologicamente correto, não tem custo como tem o isopor e é mais fácil de encontrar, o que acabou barateando a confecção de muitas maquetes. Outros materiais, como papel-paraná, pedras, argila, madeira e sucatas em geral também começaram a ser mais usuais e contribuem na execução dos detalhes.

Com o passar dos anos, graças aos meus intensos cursos sobre a história da Arte, as referências em minha carreira começaram a despontar na alma. Vicent van Gogh, Gauguin, Salvador Dalí e Vik Muni, entre dezenas de outros, pelo uso das suas cores em suas telas, pelas formas, pela expressividade, e principalmente pela história de vida, me alentaram como grandes referenciais na arte. Não que estes tenham feitos maquetes em suas vidas, mas o uso das cores e a contextualização sobre a arte em seus tempos, me serviram para acreditar e embutir em meu trabalho um sentido menos decorativo e mais provocador. Um aspecto mais contemporâneo e menos didático. O brinquedo de criança passou a ser brinquedo de adulto. E melhor ainda, ter um sentido mais visceral. Me aventurei também por outras veredas da arte. A literatura também se manifestou quando eu ainda era adolescente e aí eu escrevi, com caneta, meu primeiro livro. Um conto de terror que foi abrindo portas para que futuramente o romance, as crônicas e a poesia fizessem parte do meu repertório intelectual. E a mesma paixão encontrei no Teatro em 1999 através de uma oficina de atores, num momento interessante da minha vida quando eu deixava de ser adolescente e entrava pra vida adulta. Digamos que o teatro foi para mim um rito de passagem e segundo o qual exerço até hoje, não como ator ou diretor, mas na principal função ligada as artes visuais dentro da dramaturgia: a cenografia.

Em 2006, fazendo uma oficina de “Esculturas em Papel” na Oficina Grande Otelo de Sorocaba, passei a me dedicar com mais afinco e curiosidade a certa técnica inédita e uma nova linguagem na arte. Trata-se das colagens com papel, segmento que consiste em utilizar apenas papel e cola para a criação de um tema, (paisagem, pessoas, animais e etc) em um desenho em 3D, tendo como base a arte japonesa do origami e do quirigami. Foi mais uma das paixões que me fulminou.

Hoje, tanto na arte em maquetes, nas colagens, na literatura, nas instalações e nas cenografias, o meu olhar se volta para as informações expressas das maneiras mais diversas, sempre com o intuito de trazer uma mensagem clara, um diálogo com o público e uma provocação. No entanto, pela forma de se lançar sobre diversos temas em que retrato em uma maquete com todos os seus preciosos e minuciosos detalhes, eu os ofereço outro suporte, reflexivo e absolutamente artístico, que se distingue pelo diferencial, mas ordenada dentro de uma lógica visual própria, elaborada com uma proposta direcionada e pontual para convidar o público a refletir sobre velhas questões sociais diante mensagem quase subliminar, mas com um embasamento bastante peculiar, a base que uso para me expressar sempre.


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